Cidade terá sistema integrado de vídeo, a exemplo do que já existe em casas e prédios
Norma Moura (JB)
Antes restritas a um seleto grupo de endinheirados ou celebridades, as câmeras de vídeo e filmadoras hoje estão por toda parte. Difícil é encontrar um aparelho celular que venha sem elas. E não é preciso ser nenhum agente 007 para ter uma caneta que grava imagens ou sons. É cada vez mais comum encontrar empresas, condomínios e até casas onde câmeras de vídeo ajudam na segurança. Com o aumento dos crimes contra o patrimônio, registrado no DF nos últimos anos, e o baixo custo dos equipamentos eletrônicos nesse início de século 21, as geringonças eletrônicas estão conquistando cada vez mais adeptos, que não se importam em ser os protagonistas de um Big Brother privado.
Hoje, com a evolução tecnológica, é possível colocar microcâmeras dentro de lâmpadas, embutidas em campainhas e outros singelos objetos, deixando o equipamento "invisível". A vítima nem imagina que está sendo observada. O que pode ser muito ruim para a privacidade das pessoas é eficiente contra os ladrões.
– Hoje, há sistemas de segurança que permitem acompanhar, em tempo real e de qualquer lugar do mundo, tudo o que se passa em cada cômodo da sua residência ou empresa – explica o gestor em segurança empresarial Irenaldo Pereira Lima, também diretor do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp-DF).
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Segurança Eletrônica (Abese), a procura por sistemas eletrônicos de segurança vêm aumentando. Em São Paulo, houve um incremento de 25% na venda desses sistemas para condomínios.
De olho no patrimônio
– Quando se fala em montar um plano de segurança personalizado, as pessoas se assustam, imaginando um preço absurdo. Mas não é um sistema tão caro – garante. – Basta procurar um gestor ou empresa de segurança séria, que vai ao local avaliar as reais necessidades de segurança do interessado – ensina Lima.
Números no DF
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF, o número de furtos a residências no primeiro quadrimestre deste ano diminuiu, em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 2.568 ocorrências, contra 3.035 em 2007. Já no comércio, as autoridades perceberam um ligeiro aumento. Foram 4,7% a mais de furtos nos primeiros quatro meses deste ano, num total de 1.227 casos.
No entanto, as estatísticas mostram um dado preocupante: o aumento no número de crimes mais graves contra o patrimônio, como o roubo, que implica o uso de armas ou coação violenta contra o indivíduo. Comércios e postos de combustíveis foram os principais alvos: no comércio, houve 572 casos entre janeiro e abril de 2007 e 821 no mesmo período deste ano; nos postos, foram 315 nos primeiros quatro meses deste ano, 103 a mais do que no mesmo período do ano passado. Daí a profusão de placas de Sorria, você está sendo filmado a cada vez que saímos para fazer compras ou abastecer o automóvel.
Casa-forte
– As pessoas costumam tomar providências só depois de ser assaltadas ou ter o imóvel arrombado – constata Lima. – Mas o ideal é procurar o serviço antes de ter a casa ou empresa invadida e perder um bem – aconselha o gestor de segurança.
Os moradores do bloco H da SQS 302 equiparam o prédio com câmeras em 1999. Os oito equipamentos do início multiplicaram-se com o passar dos anos. Hoje, são 32 câmeras espalhadas pelos pilotis, estacionamento, garagem e até elevadores. As imagens são enviadas para um monitor colorido instalado na portaria central.
Síndica do prédio há oito anos, Maria Elena Freitas diz que o sistema atual permite a instalação de mais quatro câmeras, que devem ser adquiridas em breve.
– A vigilância eletrônica é importante. O prédio é bem na beira da quadra, perto da W3 e do comércio – analisa. – Tem muita gente que passa aqui. A câmera nos ajuda a acompanhar essa movimentação intensa – defende a síndica.
Porteiro do bloco, Jaime Rocha conta que além de permitir que um único funcionário, de dentro de seu posto, saiba exatamente quem está entrando ou saindo da garagem ou pelas portarias de serviço e social das quatro prumadas do prédio, as câmeras ainda ajudam os funcionários a atender melhor os próprios condôminos.
– Daqui de dentro, por exemplo, consigo perceber um morador com dificuldades para abrir o portão da garagem e ajudá-lo, sem precisar me ausentar da portaria – exalta o porteiro.
Segurança acessível
– Ninguém nunca reclamou do investimento, tampouco do fato de ser filmado todo o tempo. Eles pedem é mais câmera – revela a síndica.
Hoje, é possível montar um sistema eficaz com pouco investimento. Se a escolha for por um sistema analógico, que grava em fitas VHS, e a pessoa já possuir um computador com processador Pentium e placa de vídeo, é possível desembolsar em torno de R$ 1 mil para adquirir quatro câmeras, uma placa de captura – que vai processar as imagens recebidas da câmera – e dois sensores de presença, que acionam a filmadora à noite.
Se a opção for pelo moderno sistema digital, acionado por linha telefônica, é possível gastar R$ 2.500 e ter acesso, de onde você estiver, às câmera instaladas. Para isso, a empresa que instala o sistema de vigilância eletrônica fornece ao cliente uma senha com a qual ele pode se conectar ao sistema pela internet e acompanhar a movimentação no local em tempo real.
O sistema permite ao usuário até mesmo testar a qualidade dos serviços prestados por uma empresa de segurança que ele tenha, por ventura, contratado. Do escritório ou um quarto de hotel, por exemplo, o cliente pode acionar o alarme de casa, interligado à central da empresa de segurança privada, ao perceber suspeitos ou mesmo para se certificar de que a empresa realmente visita o imóvel quando o alarme é acionado.
Empresas de confiança
O alerta é corroborado por quem entende de segurança, como o delegado Rodrigo Ziembowicz, chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal.
– É importante evitar o serviço clandestino por causa dos riscos inerentes. E não só de empresas, mas de todo o mundo da área, como os seguranças clandestinos – recomenda o delegado.
Vigilância eletrônica 24 horas por dia
Amanhã, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) deve realizar licitação para adquirir 300 câmeras de monitoramento. O lote representa apenas um terço dos 900 equipamentos previstos para serem instalados no DF até 2010. As primeiras unidades devem começar a ser instaladas até o fim deste ano. Para o próximo ano, está prevista a instalação de outras 300 câmeras, o que deve se repetir em 2010.
Big Bhother Brasília
Uma central de monitoramento 24 horas vai funcionar no prédio anexo ao da Secretaria de Segurança Pública, em uma sala ao lado da nova Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade).
O próximo passo será expandir a vigilância para as cidades-satélites, que serão divididas em áreas de segurança integrada. Mini-centrais funcionarão em cada uma das 18 áreas de segurança integrada. Cada área pode abranger mais de uma região administrativa. Cada uma terá autonomia para fazer seu próprio monitoramento, podendo acionar a viatura mais próxima para atender uma ocorrência.
De volta para o futuro
Segundo o diretor de Tecnologia de Informação da Secretaria de Segurança Pública, Ney Ferreira dos Santos, em breve, cada central destas poderá contar com as viaturas georreferenciadas. São carros equipados com computador de bordo e GPS, que mostra em um mapa eletrônico a localização exata de cada viatura. O equipamento já foi licitado pelo governo. As primeiras 300 viaturas georreferenciadas devem começar a rodar nas ruas do DF dentro de 30 dias.
– Com a integração, detectada uma movimentação suspeita por uma das câmeras, a área de segurança pode acionar diretamente a viatura mais próxima do local da ocorrência, conforme visualizado no mapa– explica o diretor.
A autonomia pode agilizar o atendimento. Mas isso não significa que a Central do Plano Piloto só vá controlar o que as câmeras de Brasília captarem. Ela manterá o controle de tudo o que se passa nas outras unidades. Da sala equipada com telões no anexo da secretaria, as autoridades poderão acompanhar o que se passa, em tempo real, em qualquer uma das 18 áreas de segurança integrada. (N.M.)

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